Barroso defende que denĂșncia sobre golpe de Estado seja julgado ainda este ano

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta sexta-feira (28) ser melhor realizar ainda neste ano o julgamento do processo de tentativa de golpe liderada ex-presidente Jair Bolsonaro, de modo a evitar que a anålise do caso seja feita em 2026, ano de eleição presidencial.

“Seria bom julgar este ano para evitar o ano eleitoral”, afirmou Barroso. Ele ressalvou, contudo, que tudo dependerá do andamento regular do processo, em que devem ser garantidos os direitos inerentes a cada parte.

“O devido processo legal vem à frente do ano eleitoral. Portanto, vai depender da tramitação”, salientou o presidente do Supremo.

 

Nesta semana, a Primeira Turma do Supremo aceitou a parte da denĂșncia apresentada pela Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) contra Bolsonaro e mais sete aliados, apontados como nĂșcleo duro de uma tentativa fracassada de golpe de Estado e abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito.

ApĂłs proferir uma aula inaugural na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Barroso foi questionado sobre a previsĂŁo para conclusĂŁo do caso. “Eu tenho dificuldade de prever [quando serĂĄ o julgamento], porque, recebida a denĂșncia, vĂŁo ser requeridas as provas. Portanto, depende do nĂșmero de testemunhas que cada rĂ©u vai indicar, depende se eles vĂŁo pedir prova pericial que demande mais tempo”, respondeu o presidente do Supremo.

ApĂłs o recebimento da denĂșncia, Bolsonaro disse que o querem julgar rapidamente para evitar que ele “chegue livre Ă s eleiçÔes de 2026”. O ex-presidente segue se apresentando como candidato na prĂłxima corrida presidencial, apesar de estar inelegĂ­vel desde 2023, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o condenou por abuso de poder polĂ­tico.

Entenda
Ao todo, 34 pessoas foram denunciadas no mĂȘs passado pelo procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, pelos crimes de golpe de Estado; tentativa de abolir o Estado DemocrĂĄtico de Direito; organização criminosa armada; dano qualificado pelo emprego de violĂȘncia e grave ameaça; e deterioração de patrimĂŽnio tombado. Somadas as penas ultrapassam os 30 anos de cadeia.

O presidente do Supremo, contudo, nĂŁo participa do julgamento sobre o golpe, pois o caso tramita na Primeira Turma, colegiado composto por cinco dos 11 ministros da Corte – Alexandre de Moraes, FlĂĄvio Dino, Luiz Fux, CĂĄrmen LĂșcia e Cristiano Zanin.

Ao votar um pedido das defesas, os ministros da Primeira Turma decidiram, por unanimidade, que cabe ao colegiado e nĂŁo ao plenĂĄrio do Supremo o processamento do caso, conforme determina o Regimento Interno da Corte, apontaram.

Segundo a denĂșncia do PGR, os atos golpistas foram coordenados durante anos, começando em meados de 2021, com o inĂ­cio de um ataque deliberado Ă s urnas eletrĂŽnicas e ao sistema eleitoral, e culminando com o 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos TrĂȘs Poderes, em BrasĂ­lia.

 

Tamanho das penas

Barroso também foi questionado por jornalistas a respeito do cålculo das penas impostas aos participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro, criticadas como excessivas. Ele disse que as puniçÔes são previstas na legislação e necessårias para que os crimes praticados não voltem a acontecer.

“Foram muitos crimes e, mesmo aplicando a pena mínima, resulta em uma pena elevada”, afirmou Barroso.

“Quando os episĂłdios acontecem, as pessoas tĂȘm uma indignação profunda. Depois, na medida em que o tempo passa, elas vĂŁo ficando com pena. PorĂ©m, a nĂŁo punição desse episĂłdio pode fazer parecer que, na prĂłxima eleição, quem nĂŁo estiver satisfeito pode pregar a derrubada do governo eleito e invadir prĂ©dios pĂșblicos. NĂŁo Ă© bom para a democracia, nem para o futuro do paĂ­s, que prevaleça esse tipo de visĂŁo”, concluiu o presidente do Supremo.

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