Desabrigados enfrentam incertezas depois de chuvas em Juiz de Fora

AGÊNCIA BRASIL

Em uma das salas de aula da Escola Municipal Murilo Mendes, em Juiz de Fora, a auxiliar de cozinha Daniele Saldanha tenta reorganizar a vida. Os pertences estĂŁo distribuĂ­dos de forma improvisada em cadeiras, e hĂĄ colchonetes espalhados pelo chĂŁo sobre um tapete de borracha infantil.

A casa em que Daniele morava com a famĂ­lia no Alto GrajaĂș, na zona leste da cidade, foi condenada pela Defesa Civil: apenas uma coluna mantĂ©m a estrutura de pĂ©, depois do deslizamento de terra que aconteceu no barranco prĂłximo.

“Perdemos nossa casa e agora Ă© esperar para ver o que vai acontecer. Muito difĂ­cil, ainda mais porque estou com seis crianças e um pai idoso. Estamos nos ajeitando aqui como podemos. Tentando ligar um pouco a televisĂŁo para distrair as crianças, que ficam muito agitadas com tudo isso”, conta a auxiliar de cozinha.

 


Juiz de Fora (MG), 25/02/2026 –VoluntĂĄrios recebem doaçÔes na Escola Municipal Murilo Mendes, no Alto do GrajaĂș, em Juiz de Fora. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil
Juiz de Fora (MG), 25/02/2026 –VoluntĂĄrios recebem doaçÔes na Escola Municipal Murilo Mendes, no Alto do GrajaĂș, em Juiz de Fora. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

VoluntĂĄrios recebem doaçÔes na Escola Municipal Murilo Mendes, no Alto do GrajaĂș, em Juiz de Fora – Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Ansiedade e angĂșstia aumentam porque, alĂ©m de nĂŁo ter nenhuma previsĂŁo sobre uma moradia fixa no futuro, Daniele estĂĄ hĂĄ meses pagando as contas apenas com o auxĂ­lio-desemprego.

Poucas horas depois da entrevista, a prefeitura de Juiz de Fora informou que, por questão de segurança, o abrigo que funcionava na Escola Municipal Murilo Mendes estava sendo transferido para a Escola Estadual Padre Frederico Vienken, no Bairro Bonfim, também na zona leste.

A Ășltima atualização do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais indicava um total de 3 mil desabrigados em Juiz de Fora e 26 em UbĂĄ, principais municĂ­pios afetados pelas chuvas e deslizamentos de terra que começaram na segunda-feira (23).

Até o momento, foram confirmadas 47 mortes, e 20 pessoas estão desaparecidas.

 


Juiz de Fora (MG), 25/02/2026 – Crianças brincam na quadra da Escola Municipal Murilo Mendes, no Alto do GrajaĂș, em Juiz de Fora. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil
Juiz de Fora (MG), 25/02/2026 – Crianças brincam na quadra da Escola Municipal Murilo Mendes, no Alto do GrajaĂș, em Juiz de Fora. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Crianças brincam na quadra da Escola Municipal Murilo Mendes, para onde foram levados desabrigados em Juiz de Fora – Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Pontos de apoio

Com a situação de calamidade, outros setores da sociedade tambĂ©m passaram a se mobilizar para ajudar os desabrigados. A presidente do Sindicato das IndĂșstrias de Alimentação de Juiz de Fora, FlĂĄvia Gonzaga Costa, conta que transformou um espaço comercial no bairro Industrial, na zona norte, em ponto de apoio.

A regiĂŁo fica muito prĂłxima do Rio Paraibuna, que chegou a transbordar durante esta semana. O grupo liderado por FlĂĄvia conseguiu botes para levar ĂĄgua e alimento para os que ficaram em ĂĄreas ilhadas do bairro.

“NĂŁo esperava tanta colaboração do povo. Estamos com volume de doaçÔes grande aqui. A gente mandou alimentação, Ăłleo, itens de açougue, marmitas. Tem distribuição de almoço e jantar para os desabrigados e para os trabalhadores”, diz FlĂĄvia.

“E os moradores que conseguem chegar atĂ© aqui vĂȘm com barro na altura da canela. Pedem rodo, vassouras, material de limpeza, ĂĄgua sanitĂĄria, tudo o que possa ajudar dentro de casa”, complementa.

MatĂ©ria alterada Ă s 19h58 para atualização do nĂșmero de mortos e desaparecidos.