AGĂNCIA BRASIL
Em uma das salas de aula da Escola Municipal Murilo Mendes, em Juiz de Fora, a auxiliar de cozinha Daniele Saldanha tenta reorganizar a vida. Os pertences estĂŁo distribuĂdos de forma improvisada em cadeiras, e hĂĄ colchonetes espalhados pelo chĂŁo sobre um tapete de borracha infantil.
A casa em que Daniele morava com a famĂlia no Alto GrajaĂș, na zona leste da cidade, foi condenada pela Defesa Civil: apenas uma coluna mantĂ©m a estrutura de pĂ©, depois do deslizamento de terra que aconteceu no barranco prĂłximo.
âPerdemos nossa casa e agora Ă© esperar para ver o que vai acontecer. Muito difĂcil, ainda mais porque estou com seis crianças e um pai idoso. Estamos nos ajeitando aqui como podemos. Tentando ligar um pouco a televisĂŁo para distrair as crianças, que ficam muito agitadas com tudo issoâ, conta a auxiliar de cozinha.
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Ansiedade e angĂșstia aumentam porque, alĂ©m de nĂŁo ter nenhuma previsĂŁo sobre uma moradia fixa no futuro, Daniele estĂĄ hĂĄ meses pagando as contas apenas com o auxĂlio-desemprego.
Poucas horas depois da entrevista, a prefeitura de Juiz de Fora informou que, por questão de segurança, o abrigo que funcionava na Escola Municipal Murilo Mendes estava sendo transferido para a Escola Estadual Padre Frederico Vienken, no Bairro Bonfim, também na zona leste.
A Ășltima atualização do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais indicava um total de 3 mil desabrigados em Juiz de Fora e 26 em UbĂĄ, principais municĂpios afetados pelas chuvas e deslizamentos de terra que começaram na segunda-feira (23).
Até o momento, foram confirmadas 47 mortes, e 20 pessoas estão desaparecidas.
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Pontos de apoio
Com a situação de calamidade, outros setores da sociedade tambĂ©m passaram a se mobilizar para ajudar os desabrigados. A presidente do Sindicato das IndĂșstrias de Alimentação de Juiz de Fora, FlĂĄvia Gonzaga Costa, conta que transformou um espaço comercial no bairro Industrial, na zona norte, em ponto de apoio.
A regiĂŁo fica muito prĂłxima do Rio Paraibuna, que chegou a transbordar durante esta semana. O grupo liderado por FlĂĄvia conseguiu botes para levar ĂĄgua e alimento para os que ficaram em ĂĄreas ilhadas do bairro.
âNĂŁo esperava tanta colaboração do povo. Estamos com volume de doaçÔes grande aqui. A gente mandou alimentação, Ăłleo, itens de açougue, marmitas. Tem distribuição de almoço e jantar para os desabrigados e para os trabalhadoresâ, diz FlĂĄvia.
âE os moradores que conseguem chegar atĂ© aqui vĂȘm com barro na altura da canela. Pedem rodo, vassouras, material de limpeza, ĂĄgua sanitĂĄria, tudo o que possa ajudar dentro de casaâ, complementa.
MatĂ©ria alterada Ă s 19h58 para atualização do nĂșmero de mortos e desaparecidos.



