Economista preso durante CPMI do INSS Ă© liberado poucas horas depois

Detido por ordem do presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), o economista Rubens Oliveira Costa foi liberado pela Polícia Legislativa do Senado na madrugada desta terça-feira (23).

Costa prestou esclarecimentos Ă  Secretaria de PolĂ­cia do Senado Federal e, segundo um de seus advogados, Bernardo Coelho, foi liberado na sequĂȘncia, sem sequer pagar fiança.

“O flagrante dele não foi homologado. Possivelmente, porque ele não cometeu crime algum. E porque estava assegurado por uma liminar de habeas corpus”, disse.

Suspeito de envolvimento no esquema de descontos ilegais em benefĂ­cios previdenciĂĄrios pagos pelo INSS a milhĂ”es de aposentados e pensionistas de todo o paĂ­s, Oliveira foi convocado a depor Ă  CPMI na condição de sĂłcio de AntĂŽnio Carlos Antunes, o chamado “Careca do INSS”, apontado pela PolĂ­cia Federal (PF) como um dos principais operadores da fraude bilionĂĄria e preso no Ășltimo dia 12.

O economista chegou ao Congresso Nacional protegido por um habeas corpus concedido pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o desobrigou de ter que responder Ă s perguntas dos senadores e deputados federais que integram a CPMI. O habes corpus tambĂ©m impedia a eventual ordem de prisĂŁo caso o depoente permanecesse em silĂȘncio.

Apesar disso, Costa permaneceu por mais de sete horas sendo questionado pelos membros da comissĂŁo, chegando a responder a algumas perguntas. O economista afirmou que nunca foi sĂłcio de Antunes, tendo sido apenas diretor financeiro de algumas das empresas do Careca do INSS. Ele acrescentou que deixou o cargo antes de ter conhecimento da existĂȘncia dos inquĂ©ritos criminais que apuram os descontos ilegais.

Costa garantiu nunca ter ordenado ou participado do pagamento de propinas, mas reconheceu ter entregue cerca de R$ 950 mil em dinheiro a Antunes. Ele também afirmou não ter conhecimento de que algum parlamentar tenha recebido dinheiro proveniente das fraudes contra aposentados e pensionistas.

Ainda durante o depoimento, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), pediu que Costa fosse preso preventivamente. Para o deputado, o economista mentiu durante todo seu depoimento, e a prisão seria necessária para evitar que Costa fugisse ou cometesse “novos crimes” após deixar o Congresso Nacional.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, se comprometeu a colocar o pedido de Gaspar em votação até o fim da reunião caso o depoente não decidisse colaborar e contar a verdade. Algum tempo depois, contudo, determinou a prisão em flagrante. Para Viana, Costa não só se negou a prestar informaçÔes sobre o esquema de descontos ilegais, como mentiu, se contradisse e ocultou informaçÔes.

“A gente considera que a ordem de prisĂŁo em flagrante foi ilegal, uma vez que ele [Costa] nĂŁo cometeu nenhum crime durante a oitiva. E tambĂ©m porque ele estava amparado por um habeas corpus, do STF, que o impedia de ser preso”, declarou o advogado Bernardo Coelho Ă  AgĂȘncia Brasil. “Desde o inĂ­cio das investigaçÔes, o senhor Rubens vem se colocando Ă  disposição da Justiça e vai continuar a fazĂȘ-lo”.

Consultada pela reportagem, a Secretaria de Polícia do Senado Federal informou que foi instaurado inquérito policial para apuração dos fatos.

AGÊNCIA BRASIL