Hugo revela lado oculto e deixa claro que só servirá um senhor de cada vez

Houve festa na direita quando Hugo Motta minimizou o 8 de janeiro declarando que não se podia considerá-lo como golpe. Houve até parabéns do próprio Bolsonaro, muso inspirador dos atos. De repente, os aplausos se transformaram em punhos fechados, os sorrisos em semblantes carrancundos, e a direita descobriu que Hugo também sabe afagar e apedrejar com a mesma mão.

Descobriu-se que o menino do sertão paraibano é homem o bastante para não ceder à pressão da fúria conservadora que insiste num projeto de anistia que misture vovozinhas com Bíblias nas mãos com golpistas contumazes para que a estreita porta do Céu aceite a todos numa só indulgência plenária, quando a Igreja Católica perdoa todos os pecados de todos os cristãos de uma só vez.

Sua postagem nas redes sociais é palavra inteira para quem ainda fingem ser um mau entendedor. “Saúde, educação, segurança e redução da inflação. Essas são as pautas que o brasileiro quer discutir”, declarou Hugo, como a dizer aos bolsonaristas do Congresso “liguem os pontinhos e descubram minha posição”.

Vale dizer que, longe do mundo dos fanáticos dos dois lados, o discurso do presidente da Câmara dos Deputados é, digamos assim, exageradamente correto. Mas isso você só compreende se nunca ficou mais de dois minutos na frente de um quartel. Ora, o governo Lula nem merece uma desculpa dessa para colocar na direita a culpa por um momento tão delicado de avaliação popular.

Porque, convenhamos, querer atrapalhar as atividades do Congresso Nacional, barrar pautas importantes, bagunçar a agenda de país que possa mexer na vida do cidadão, incluindo alguns poucos que não estão nem aí pra essa polarização, sob a justificativa de anistia geral e, por tabela, contra a prerrogativa do Supremo, é querer impor que a vida de 200 milhões de brasileiros se resuma ao destino de pouco mais de 1.500 processos de quem esteve no 8 de Janeiro.

Ou seja, uma coisa é discutir revisão de penas desproporcionais aplicadas em um ou outro caso do 8 de janeiro. Outra, bem diferente, é querer colocar um aureola de anjo naqueles que sequer estão curados do transe pós outubro de 2022.

É sobre esta pedra que o não de Hugo está assentado.

E é com ele que o paraibano precisa endurecer a postura diante da numerosa bancada do PL. Indo além do não. Desmontando o que parece uma organização paramilitar dentro do Congresso para garantir a “paz e a ordem no Brasil”.

A direita, portanto e apesar disso, o abandonou (por ora). Mas Hugo não está sozinho. O STF e o governo Lula são sua retaguarda. E, quiçá, o centrão, seu habitat natural.

Ele sabe que o momento atual exige a escolha de um dos lados. Para esperar o momento certo de voltar pra cima do muro. Até a próxima radicalização.

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