Idosos superam dificuldades e ressaltam importĂąncia do voto

AGÊNCIA BRASIL

Elenita da Silva, 71 anos, tem dificuldade de locomoção por causa de uma cirurgia recente no joelho direito. Ela vota na maior zona eleitoral do Distrito Federal, em Águas Claras, e para chegar até a urna precisou da ajuda de uma bengala. Ela diz que nunca deixou de votar, só que, dessa vez, pensou em não comparecer.

“Mas depois eu fiquei olhando as coisas e pensei: melhor eu ir lá. Aí pronto, tî aqui. Acho importante que todas as pessoas exerçam [o direito ao voto] porque só assim a gente pode mudar alguma coisa”, diz.


BrasĂ­lia – DF – 04/10/2026 - Votação do primeiro turno. ( Elenita Pereira da Silva na UNIEURO)   FOTO: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.
BrasĂ­lia – DF – 04/10/2026 - Votação do primeiro turno. ( Elenita Pereira da Silva na UNIEURO)   FOTO: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.

Mesmo com dificuldade de locomoção, Elenita da Silva, 71 anos, compareceu ao local de votação. Foto: – Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.

Para os eleitos, ela pede atenção especial para a saĂșde e a educação do paĂ­s. “Aqui no Distrito Federal a saĂșde estĂĄ debilitada. Tem que mudar isso”, diz.

O Brasil tem hoje cerca de 16 milhÔes de idosos com mais de 70 anos. Isso corresponde a 10,6% dos eleitores do país. Essa população tem voto facultativo desde a promulgação da Constituição de 1988 e histórico de alta abstenção. Em 2022, 60% dos que faziam parte desse grupo não compareceram às urnas.


BrasĂ­lia – DF – 04/10/2026 - Votação do primeiro turno.  Valdeci Camargo Bezerra na UNIEURO.FOTO: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.
BrasĂ­lia – DF – 04/10/2026 - Votação do primeiro turno.  Valdeci Camargo Bezerra na UNIEURO.FOTO: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.

Aos 81 anos, Valdeci Camargo Bezerra venceu a mobilidade reduzida e fez questĂŁo de sair de casa para votar. Foto: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.

Valdeci Bezerra estå em um grupo ainda mais restrito. Aos 81 anos, faz parte dos 2% da população brasileira classificada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como idosos longevos. E, pelos médicos, como super idosos.

Uma boa expressĂŁo para descrever Valdeci que, mesmo com mobilidade reduzida por causa de um tratamento de cĂąncer diz que fez questĂŁo de sair de casa para votar. Para isso, teve a ajuda do filho.

“A gente precisa votar, a gente tem que defender o nosso Brasil. NĂŁo dĂĄ pra deixar para depois. Acho que Ă© importante todo mundo exercer o direito de votar e defender o que Ă© nosso”.


BrasĂ­lia – DF – 04/10/2026 - Votação do primeiro turno. Lucilda Cruz Colares de Oliveira, na UNIEURO) FOTO: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.
BrasĂ­lia – DF – 04/10/2026 - Votação do primeiro turno. Lucilda Cruz Colares de Oliveira, na UNIEURO) FOTO: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.

A professora Lucilda de Oliveira diz que vota pelos direitos de filhos e netos. Foto: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.

A professora aposentada Lucilda de Oliveira, 76 anos, tambĂ©m nĂŁo tĂȘm mais obrigação de votar, mas diz que faz isso pelos filhos e pelos netos.

“Eu pedi a Deus mais essa chance de votar porque eu respeito e amo meus país”, diz. Perguntada sobre o que espera que os governantes eleitos façam pelos idosos, ela diz que não precisa de uma política específica. Apenas que eles “sejam honestos e tenham caráter”.

 

Jovens lutam por democracia e polĂ­ticas pĂșblicas

No centro da capital brasileira, a cerca de 20 quilĂŽmetros de onde votam Elenita, Valdeci e Lucilda, CecĂ­lia Borgato votou pela primeira vez. Ela tem 17 anos e acha muito importantes que os jovens decidam quem vai representĂĄ-los.

“Eu votei em candidatos que tĂȘm compromisso com a tarifa zero, com as cotas, que sĂŁo coisas que eu acredito. Porque eu uso transporte pĂșblico todos os dias, mas eu acho que mesmo se eu nĂŁo utilizasse, eu acho importante a gente votar por quem utiliza, pelas minorias, pelo social”.


BrasĂ­lia – DF – 04/10/2026 - Votação do primeiro turno.   Cecilia Carvalho Borcato, 17 anos no CEUB. FOTO: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.
BrasĂ­lia – DF – 04/10/2026 - Votação do primeiro turno.   Cecilia Carvalho Borcato, 17 anos no CEUB. FOTO: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil.

Aos 17 anos, CecĂ­lia Borgato votou pela primeira vez. Foto: Lula Marques/AgĂȘncia Brasil

Segundo dados do TSE, 1,6 milhĂŁo de brasileiros de 16 e 17 anos se registraram para votar nas eleiçÔes de 2026. Na eleição de 2022 eram 2,1 milhĂ”es. Uma queda de 22,8%. No mesmo perĂ­odo, o nĂșmero de jovens dessa idade tambĂ©m diminuiu no Brasil, mas em proporção muito menor: 5,6%.

Maria Clara tirou o título de eleitor aos 16 anos para votar em 2022. Este ano, diz que veio pela democracia e espera que outros jovens façam o mesmo agora.

“O Brasil depende das nossas escolhas, das nossas decisĂ”es. Se vocĂȘ se abstĂ©m, vocĂȘ abre mĂŁo de fazer essa escolha. Eu espero que os nossos candidatos façam paĂ­s mais justo e mais democrĂĄtico tambĂ©m”.

Â