Investigadores da Polícia Federal que estão na ponta das apurações do caso Banco Master, que tem um entendimento diferente de quem está tomando as decisões, receberam com grande surpresa a negativa da delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo uma fonte da Polícia Federal, só se tiver materiais que estão em sigilo, que nem eles têm acesso, para justificar a negativa da delação.
A avaliação dos investigadores segue sendo a mesma de quando o esboço foi entregue: material muito robusto, com anexos que citavam pessoas que não haviam sido reveladas. O que não dá pra afirmar, segundo fontes, é de que não houve fato novo levado pelo ex-presidente do BRB.
Nos bastidores da classe política de Brasília, há desconfiança de que uma figura de grande relevância para o Distrito Federal, que sabe que será um dos próximos alvos da Operação Compliance Zero, entrou no circuito para segurar a delação. A definição é que será questão de tempo para a Polícia Federal também negar a delação.
PGR rejeita delação de Paulo Henrique Costa
A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, na última quinta-feira (25), a proposta de delação premiada apresentada por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O documento segue sob análise da Polícia Federal (PF), mas a tendência é que a corporação também a rejeite.
Num primeiro momento, os investigadores apontaram que a proposta de delação parecida ser ‘robusta’ e que incluiria personalidades políticas, principalmente do Distrito Federal. A expectativa era que a delação passaria muito além de uma fraude entre os bancos, BRB e Master.
Paulo Henrique Costa foi preso em 16 de abril de 2026, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira e organização criminosa.
O ex-presidente esteve à frente do BRB a partir de 2019 e já havia sido afastado do cargo pela Justiça no final de 2025, durante a primeira fase da mesma operação, quando foi alvo de mandados de busca e apreensão. Ele é suspeito de facilitar a aquisição do BRB de carteiras de crédito do Banco Master sem lastro ou garantias.
A Polícia Federal interpreta como propina o recebimento, por parte de Costa, de seis imóveis de luxo que totalizariam R$ 146,5 milhões, cedidos por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Além disso, a investigação aponta que a parceria de Costa e Vorcaro resultou em um prejuízo estimado em cerca de R$ 20 bilhões aos cofres do BRB.





