O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (20) para tornar rĂ©us 10 acusados de envolvimento no nĂșcleo 3 da trama golpista durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. 
O voto do ministro, que Ă© relator do caso, foi proferido durante o julgamento da denĂșncia da Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) contra nove militares do ExĂ©rcito e um policial federal acusados dos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violĂȘncia e grave ameaça e deterioração de patrimĂŽnio tombado. Parte dos militares tinha ligação com as forças especiais do ExĂ©rcito, grupo conhecido como kids-pretos.
Alexandre de Moraes tambĂ©m rejeitou as acusaçÔes contra o tenente-coronel Cleverson Ney MagalhĂŁes, ex-assessor do general Estevam Theofhilo, e o general Nilton Diniz Rodrigues, ex-assessor do ex-comandante do ExĂ©rcito Freire Gomes. Segundo Moraes, apesar de terem sido denunciados, nĂŁo hĂĄ indĂcios de autoria de crimes pelos acusados.
O julgamento prossegue na Primeira Turma do STF para tomada dos votos dos demais ministros. Faltam os votos de FlĂĄvio Dino, Luiz Fux, CĂĄrmen LĂșcia e FlĂĄvio Dino.
Voto
Para Moraes, a acusação conseguiu apontar indĂcios de que houve mobilização dos acusados para efetivação de açÔes em prol da tentativa golpista.
O ministro citou reuniĂ”es entre os kids pretos para elaborar estratĂ©gias e pressionar os comandantes das Forças Armadas a aderirem Ă trama golpista.Â
“NĂŁo era uma reuniĂŁo de amigos como foi dito [pelas defesas], conversa de bar, jogar conversa fora. Na verdade, era para jogar a democracia fora”, disse.
AlĂ©m disso, Moraes citou outra reuniĂŁo entre o chefe de operaçÔes terrestres do ExĂ©rcito, general Estevam Theophilo, um dos rĂ©us, e Bolsonaro, no final de 2022, dois dias apĂłs o entĂŁo comandante do ExĂ©rcito, general Freire Gomes, se recusar a aderir Ă tentativa golpista.Â
Segundo o ministro, nĂŁo Ă© normal o presidente da RepĂșblica se reunir com chefes de departamentos das Forças Armadas. No entendimento de Moraes, Bolsonaro tentou cooptar o general para obter apoio ao golpe.Â
“Quem se reĂșne com o presidente Ă© o comandante do ExĂ©rcito. Ă o comandante da força que se reĂșne com o presidente”, concluiu.Â
Fazem parte nĂșcleo 3 os seguintes investigados:
Bernardo RomĂŁo Correa Netto (coronel);
Estevam Theophilo (general);
FabrĂcio Moreira de Bastos (coronel);
Hélio Ferreira (tenente-coronel);
MĂĄrcio Nunes de Resende JĂșnior (coronel);
Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel);
Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel);
Ronald Ferreira de AraĂșjo JĂșnior (tenente-coronel);
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel);
Wladimir Matos Soares (policial federal).



