O MinistĂ©rio PĂșblico do Rio de Janeiro (MPRJ) criou o Grupo Executivo TemporĂĄrio de atuação integrada no Combate Ă ViolĂȘncia de GĂȘnero contra a Mulher (GET-VIM). A finalidade Ă© fortalecer a atuação integrada e transversal no enfrentamento Ă violĂȘncia domĂ©stica e de gĂȘnero.
A forma extrema dessa violĂȘncia exige açÔes estratĂ©gicas e integradas entre diversas ĂĄreas de atuação ministerial, alinhadas ao Pacto Nacional de Prevenção aos FeminicĂdios.
A norma tambĂ©m menciona o carĂĄter estrutural da violĂȘncia de gĂȘnero na sociedade com respostas eficazes e coordenadas do estado, com enfoque preventivo e na garantia do direito fundamental das mulheres de viverem livres de violĂȘncia.
Articulação
Coordenado pela promotora de Justiça Eyleen Oliveira Marenco, a criação do grupo responde diretamente ao enfrentamento das causas de aumento recente de casos de feminicĂdio, ampliando a capacidade institucional de agir de forma preventiva e articulada.
âO feminicĂdio Ă© um crime evitĂĄvel. Ele nĂŁo acontece repentinamente: Ă© fruto de crenças de poder e dominação que precisam ser enfrentadas com polĂticas pĂșblicas eficazes e atuação integrada. O grupo nasce para fortalecer essa atuação articulada e integrada e garantir que a violĂȘncia nĂŁo chegue ao seu extremoâ, afirmou a promotora.
DossiĂȘ
O lançamento do GET-VIM ocorre em um contexto de dados alarmantes de violĂȘncia contra as mulheres, como demonstra o DossiĂȘ Mulher 2025, elaborado a partir das estatĂsticas de 2024 do Instituto de Segurança PĂșblica (ISP), que registrou aumento de feminicĂdios, alta recorrĂȘncia da violĂȘncia psicolĂłgica e elevado nĂșmero de descumprimentos de medidas protetivas, com a residĂȘncia como o principal local das agressĂ”es.
Essas informaçÔes reforçam a urgĂȘncia de fortalecer a capacidade institucional de prevenção, proteção e responsabilização, objetivo central da polĂtica institucional de atuação integrada. Â
Os dados registram que 71,1% dos casos de violĂȘncia contra mulheres ocorreram na regiĂŁo metropolitana do Rio, evidenciando a concentração dos crimes em ĂĄreas urbanas.
A cada dia, 421 meninas ou mulheres sĂŁo vĂtimas de agressĂ”es, o que equivale a 18 casos por hora. Pelo quarto ano consecutivo, a violĂȘncia psicolĂłgica foi o tipo mais frequente, representando 36,5% das denĂșncias.
AlĂ©m disso, 5% dos casos ocorreram em ambiente virtual. A violĂȘncia patrimonial tambĂ©m preocupa, com 5,4% das denĂșncias. Entre os agressores, 56,2% tĂȘm entre 30 e 59 anos, enquanto a participação de idosos cresceu para 7,3%. Companheiros ou ex-companheiros foram responsĂĄveis por 45,3% das agressĂ”es.Â
FeminicĂdios crescemÂ
O estado do Rio registrou 107 casos de feminicĂdio em 2024, um aumento de 8,1% em relação ao ano anterior, sendo o segundo maior nĂșmero em 11 anos.
 Antes do crime contra a vida, 56,1% das vĂtimas jĂĄ haviam sofrido outras violĂȘncias, mas nĂŁo denunciaram. Entre os autores, 79,7% eram companheiros ou ex-companheiros e 59,6% tinham antecedentes criminais, com mĂ©dia de quatro crimes anteriores.
AlĂ©m disso, 18,3% das mulheres foram mortas na presença dos filhos, e 46,5% das vĂtimas deixaram ĂłrfĂŁos menores de 18 anos. O descumprimento de medidas protetivas tambĂ©m atingiu um recorde, com 4.846 registros, o maior nĂșmero desde 2018.
A residĂȘncia foi o principal local das ocorrĂȘncias, representando 49,4% dos casos. Os dados sobre estupro de vulnerĂĄvel sĂŁo igualmente alarmantes: 50,9% das vĂtimas tinham atĂ© 11 anos. A maioria dos crimes ocorreu dentro de casa.




