Para coibir lavagem de dinheiro, Receita iguala fintechs a bancos


A Receita Federal determinou que as fintechs estejam sujeitas às mesmas regras dos bancos, no que se refere a obrigação de fornecer informações que levem ao combate a crimes, como lavagem de dinheiro. A instrução normativa foi publicada no DiÔrio Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (29). 

Fintechs são empresas de tecnologia com atuação no mercado financeiro, que oferecem, por meio de plataformas online, serviços de crédito, pagamento, gestão financeira, empréstimo e investimento.

A decisão foi adiantada na quinta-feira (28), na esteira de três grandes operações de combate ao crime organizado, que identificaram um enorme esquema de lavagem de dinheiro. 

Foram cumpridos mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão e centenas de buscas e apreensões, em pelo menos oito estados. Os grupos criminosos movimentaram, de forma ilícita, aproximadamente R$ 140 bilhões.

Mais transparĆŖncia

No seu primeiro artigo, a instrução normativa estabelece que sĆ£o ā€œmedidas para o combate aos crimes contra a ordem tributĆ”ria, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudesā€.

ā€œOs indĆ­cios de crimes serĆ£o objeto de comunicação Ć s autoridades competentesā€, enfatiza a Receita Federal.

Para tanto, ā€œas instituiƧƵes de pagamento e os participantes de arranjos de pagamentos [fintechs] sujeitam-se Ć s mesmas normas e obrigaƧƵes acessórias aplicĆ”veis Ć s instituiƧƵes financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional – SFN – e do Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB – relativas Ć  apresentação da e-Financeiraā€.

O e-Financeira é um documento com movimentações de alto valor. A instrução normativa é assinada pelo atual secretÔrio especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.

Fake news do Pix

Em nota divulgada na noite de quinta-feira (28), a Receita tinha afirmado que as fintechs tĆŖm sido utilizadas para lavagem de dinheiro porque ā€œhĆ” um vĆ”cuo regulamentar, jĆ” que elas nĆ£o tĆŖm as mesmas obrigaƧƵes de transparĆŖncia e de fornecimento de informaƧƵes a que se submetem todas as instituiƧƵes financeiras do Brasil hĆ” mais de 20 anosā€.

Segundo órgão, sabendo que havia essa diferenciação, o crime organizado se aproveitava dessa brecha para movimentar, ocultar e lavar dinheiro sujo.

No ano passado, a Receita publicou uma instrução normativa que estendia as obrigações de transparência e informações às fintechs para valer a partir de janeiro de 2025. Mas a medida foi revogada depois de uma campanha de desinformação, com as chamadas fake news.

AGÊNCIA BRASIL